top of page

Como um orçamento errado acabou dando origem à Base do Ateliê

Atualizado: 15 de jun.



No começo deste ano eu cometi um erro que acabou mudando bastante a forma como organizo meu trabalho. Foi justamente durante aquele período em que os preços dos metais pareciam mudar toda semana. A prata vinha subindo rapidamente, o ouro alcançava valores cada vez mais altos e acompanhar essas oscilações estava se tornando um desafio constante para quem precisava fazer orçamentos com alguma previsibilidade.


Foi nesse contexto que recebi um orçamento grande. Um daqueles projetos que animam qualquer joalheira, tanto pela oportunidade criativa quanto pelo impacto financeiro que podem trazer. Fiz os cálculos, preparei a proposta, enviei para a cliente e segui trabalhando. Só depois percebi que havia cometido um erro. Os valores que eu havia utilizado já não refletiam o custo real dos materiais naquele momento e, quando fui revisar os números, entendi que o orçamento tinha sido fechado abaixo do valor correto. O resultado foi um prejuízo que poderia ter sido evitado.


Lembro de ficar pensando que aquilo não fazia sentido. Eu passava horas desenhando, modelando, produzindo, resolvendo problemas técnicos e aperfeiçoando processos, mas uma parte fundamental do trabalho ainda dependia de cálculos feitos manualmente, consultas em anotações antigas e informações espalhadas entre planilhas, cadernos e arquivos. Aquele erro foi frustrante, mas também serviu como um alerta. Eu precisava encontrar uma forma mais confiável de trabalhar.


Foi então que decidi criar uma planilha para automatizar meus orçamentos. O problema é que eu não sabia fazer isso. Nunca tinha criado uma planilha complexa, não entendia praticamente nada de automação e certamente não imaginava que algum dia desenvolveria qualquer tipo de sistema. Mesmo assim, comecei. Com a ajuda do ChatGPT, fui montando uma primeira versão que calculava custos, registrava informações e me ajudava a atualizar valores com mais rapidez.



A intenção era resolver um único problema, mas logo percebi que aquele problema não existia sozinho. Se eu já estava calculando os custos das peças, por que não registrar também esses cálculos? Se eu registrasse os cálculos, por que não guardar as diferentes versões de um orçamento? E se fosse possível acompanhar projetos personalizados desde a primeira conversa com o cliente?



O que começou como uma ferramenta simples foi ganhando novos campos, novas tabelas e novas relações entre informações que antes estavam completamente dispersas. Sem perceber, eu deixei de construir apenas uma calculadora de custos e comecei a criar uma forma de organizar o funcionamento do ateliê.



Ao longo dos meses fui adicionando ferramentas sempre da mesma maneira: não porque alguém havia sugerido uma funcionalidade, mas porque alguma necessidade real surgia na rotina. Quando comecei a estudar modelagem em cera, por exemplo, passei a me deparar frequentemente com a mesma dúvida: quanto aquele protótipo pesaria depois de fundido em diferentes metais?


Tabela de gestão de joalheria
Simulador de fundição de peças em cera

Em outros momentos eu precisava consultar medidas internacionais de anéis, conferir proporções de ligas metálicas, calcular soldas ou encontrar rapidamente informações técnicas espalhadas entre cadernos, arquivos e anotações antigas. Havia ainda os projetos e ideias que surgiam ao longo do tempo e acabavam distribuídos entre fotografias, desenhos, arquivos de computador e pequenos lembretes anotados às pressas.


Tabela de gestão de joalheria
Catalogação, precificação e controle de estoque de pedras

Quanto mais eu observava minha própria rotina, mais percebia que boa parte do trabalho de uma joalheira acontece longe da bancada. Existe uma camada inteira de organização, pesquisa, planejamento, cálculos, registros e tomada de decisões que sustenta a produção, mas que raramente aparece quando pensamos no ofício. E foi justamente tentando organizar essa parte invisível do trabalho que o projeto continuou crescendo.


Hoje existe um sistema muito maior do que eu imaginava construir quando tudo começou. Um sistema que utilizo diariamente para administrar praticamente todas as áreas do meu ateliê e que reúne projetos, cálculos, pedidos, bibliotecas técnicas, registros de materiais, fornecedores, processos de produção e uma série de ferramentas que nasceram da experiência prática de quem trabalha com joalheria todos os dias.


Tabela de gestão de joalheria
Calculadora de ligas metálicas

Mas também aprendi que existe uma diferença enorme entre criar algo para uso próprio e disponibilizar isso para outras pessoas. Quando usamos uma ferramenta apenas para nós mesmos, aprendemos a conviver com pequenas falhas, adaptações e atalhos. Quando ela passa a fazer parte da rotina de outras pessoas, a responsabilidade é completamente diferente. Por isso decidi seguir dois caminhos paralelos: o primeiro é continuar desenvolvendo o sistema completo que utilizo no meu ateliê, refinando processos, testando automações e validando cada etapa na prática. O segundo foi separar as ferramentas que já estavam maduras, estáveis e úteis por si só.


Foi assim que nasceu a Base do Ateliê.


A Base do Ateliê não foi criada para ser um software gigantesco de gestão. Na verdade, ela foi construída quase como uma extensão da minha própria bancada. Cada ferramenta que existe ali nasceu de alguma situação real que eu enfrentei trabalhando. Um cálculo que eu precisava fazer repetidamente, uma informação que eu vivia procurando ou um processo que parecia simples, mas que acabava consumindo muito mais tempo do que deveria.


Com o passar dos meses, fui percebendo que boa parte da minha rotina não era feita apenas de criar joias. Ela também era composta por dezenas de pequenas tarefas paralelas: pesquisar referências, consultar medidas, registrar informações, calcular custos, organizar ideias, acompanhar projetos e tomar decisões. A Base do Ateliê é minha tentativa de reunir tudo isso em um único lugar.


Ela não substitui a experiência, a criatividade ou o conhecimento técnico de quem trabalha com joalheria. Mas pode ajudar a reduzir o tempo gasto procurando informações, repetindo cálculos ou reinventando processos que já foram resolvidos anteriormente.


Talvez a parte mais curiosa dessa história seja que eu nunca sentei para criar um produto. Tudo começou porque eu não queria errar outro orçamento. O restante foi acontecendo pelo caminho.


Tabela de gestão de joalheria
Registro de simulações e orçamentos completos

A Base do Ateliê ainda está crescendo, assim como o projeto que deu origem a ela. Novas ideias continuam surgindo, novas ferramentas continuam sendo testadas e muita coisa ainda está em desenvolvimento.


Mas, pela primeira vez, sinto que ela está pronta para começar a sair da minha bancada e chegar a outros ateliês.


Se você quiser acompanhar esse lançamento, pode se inscrever na lista de espera. Quem estiver na lista receberá as novidades em primeira mão e terá acesso a um desconto especial quando o aplicativo for oficialmente lançado.

Vou ficar muito feliz em compartilhar os próximos capítulos dessa história com você.



Comentários


bottom of page